Em alta, paratleta Lauro Chaman celebra conquista em Guarulhos e segue preparação para o Mundial

Lauro Chaman termina prova em 3h18min4seg (Foto: Lucas Dantas)

Ele fez história ao se tornar o primeiro ciclista brasileiro a conquistar uma medalha em Jogos Olímpicos, foi campeão da Copa do Mundo de Paraciclismo na Holanda e vencedor do Campeonato Mundial de Pista nos EUA. Esses são alguns dos títulos do paratleta Lauro Chaman, 30, nos últimos 12 meses. Vivendo a melhor temporada de sua carreira, o atleta vencedor da 3ª etapa da Volta Ciclística de Guarulhos, segue preparação para o Mundial de Ciclismo de Estrada, que acontecerá entre os dias 31 de agosto e 3 de setembro, em Pietermaritzburg, na África do Sul.

Após ser o primeiro a cruzar a linha de chegada da etapa mais longa da Volta de Guarulhos, Chaman agradeceu os companheiros de equipe (São José dos Campos) pelo ótimo trabalho que realizaram durante os 158 km de prova. “Gostaria de agradecer a todo o grupo, ao meu técnico, pela confiança da fuga. Foi uma etapa bem dura. Agradeço muito ao Caio (Godoy) e ao Murilo (Affonso) pelo incentivo”, disse o vencedor. Ele terminou a etapa em 3h18min04seg.

Agora, o medalhista paralímpico segue preparação para o Mundial de Ciclismo, na África do Sul. “Essa competição (Volta de Guarulhos) está sendo essencial para a minha preparação. Por isso, estou muito feliz em ser um dos participantes”, declarou.

Chaman defende a Seleção Brasileira de Paraciclismo desde 2010 (Foto: Divulgação)

Chaman nasceu com o pé esquerdo virado para trás. Após passar por cirurgia de correção, perdeu os movimentos no tornozelo, o que acarretou em atrofia na panturrilha. Aos 19 anos passou pela classificação funcional e começou a disputar provas paralímpicas. Hoje, aos 30, é multicampeão da Classe C5 e fez história no Rio 2016 ao conquistar uma medalha de prata na prova de estrada e um bronze no contrarrelógio.

Ciclista lembra da mãe e agradece: “muito aguerrida”

A pessoa que Chaman mais lembra durante suas conquistas, sem dúvidas, é a sua mãe. Ela acompanhou todos os momentos difíceis de sua vida, desde o nascimento, até a conquista triunfal de sua carreira: o pódio nos Jogos Paralímpicos.

“Minha mãe sempre me incentivou em tudo. A meta dela foi batalhar sempre para eu viver uma vida normal. Ela viajava comigo, aos dois meses de idade, no colo, atrás dos tratamentos. A gente dormia em rodoviária. Já fiz diversas cirurgias e ela sempre ao meu lado. O pódio no Rio foi o ponto alto da minha carreira e ver ela ali, assistindo a minha vitória, foi emocionante. Tenho certeza que para ela também foi uma vitória pessoal”, comentou.

Após morte da filha, Chaman desisti do ciclismo

O ano de 2006 foi o pior de toda a sua vida. Sua filha morreu de bronquiolite, doença respiratória classificada pela inflamação dos bronquíolos. Ele tinha apenas 19 anos. “Ela era saudável. Depois do nascimento, veio para casa normal. Um certo dia adoeceu, ficou dois dias internada e não resistiu”, relembrou.

Orgulhoso, ciclista compartilha foto do filho de um ano (Foto: Reprodução/Facebook)

Ele ficou até 2008 sem pedalar. “Eu só tinha 19 anos. Foram momentos de revolta com o mundo. Eu me perguntava: o que é que eu fiz? Depois, procurei ver a vida por um outro lado e entendi que aqueles quatro meses ela cumpriu o papel dela na terra. A vida é passageira e temos que saber compreender. Tenho certeza que ela faz parte de todas as coisas boas que estão acontecendo hoje”, contou.

Hoje, Chaman tem um lindo filho de 1 ano de idade.

Chaman volta em 2009 e vira referência no esporte brasileiro

Depois de dois anos sem competir, Chaman voltou e, além de ganhar diversos títulos, se tornou uma das referências do esporte nacional. Entre as conquistas no ciclismo convencional, foi campeão paulista de contrarrelógio, campeão paulista de resistência e campeão interestadual de pista. Desde 2010 ele defende a Seleção Brasileira de Paraciclismo.

Apesar dos vários torneios conquistados, Lauro Chaman pedala profissionalmente há apenas dois anos. “Foi a partir de 2015 que eu comecei a viver só do ciclismo, graças ao Ministério do Esporte. Trabalhei durante 10 anos em um escritório de contabilidade e só treinava a noite. Costumo dizer que não podemos desistir dos nossos sonhos, nunca. Hoje agradeço a Deus por tudo o que tenho e posso dizer que sou um atleta realizado”, concluiu.

Sobre Rômulo Magalhães 26 Artigos
Jornalista. Assessor de Imprensa da Associação Desportiva Facex (ADF)

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